Desova de contradições, trocadilhos infames e mentiras burlescas.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Like a rolling stone

O Super Homem afirmando o ditado que “Ninguém é de ferro” muito menos de aço, foi flagrado fumando uma pedra de criptonita.
Perguntado por que estava usando drogas ele respondeu que após anos de sucesso a mídia o deixou de lado, dando mais importância aos desenhos japoneses desta feita o grande público o esqueceu. Depois disto ele entrou em depressão, teve crise de identidade, e pior, ela veio em dobro, pois ele tinha uma secreta, não sabia se era super ou se era homem. Foi então que ele se deparou com as drogas, os super amigos abandonaram-no, a Lois Lane o largou e foi demitido do Planeta Diário depois de ter chegado ao serviço com a cueca por cima da calça.
Mas agora ele está numa clínica de recuperação onde encontrou o Homem Aranha que estava subindo pelas paredes, problemas com as bolinhas, bolinhas de naftalina.

Olé


Esta charge foi feita pro bar falcatrua que tinha ali na praça do gaúcho, ela diz respeito ao episódio dos emigrantes brasileiros barrados na Espanha.

Joan Baez

A voz desta mulher me deixa molhado. O quê? Vai me dizer que voz alguma te deixa molhado(a), nenhum canto, nenhum sussurro ou grito? A não ser que você já esteja imaginando outra coisa, me refiro às lágrimas. Esta mulher não tem medo de expor seus sentimentos, canta para o amante com amor ou sordidez ou ambos, pro filho feio e louco, pra ambição inconseqüente dos senhores do mercado, pro provedor que vai embora sem se despedir, para o carpinteiro que já não sabe por que e pro vagabundo que sonha que é rei ou se rei que se sonha vagabundo, pro presidiário cego que reza no corredor da morte, e expressa as fases, que nunca um homem vai ser capaz de compreensão, que passam pela alma de uma mulher. Escute a, mas não só com o cerebelo, mas com o corpo todo.

Dagonia

É melancólico constatar que o futebol paranaense nem pra decadente tem vocação, pois a assombrosa nau do Vasco da Gama, tão cantada em verso e prosa como baluarte do apocalipse obteve em Irati o que nem o mais entusiasta sopro (sem trocadilho) do raquítico Atlético sonhou neste pesadelo que lhe atormenta, um empate.

E como escutamos choros, gritos, ranger de dentes, o som de pesadas correntes de ferro do Vale do Aço sendo arrastadas no asfalto cozido pelo cão tinhoso em seu caldeirão que não o da Baixada, o Atlético teve a ventura de ser assustado pelo cadavérico Volta Redonda, do decrépito Sérgio Manuel, da triste figura do Túlio Maravilha e de mais outras personagens apavorantes, desenterradas possivelmente pelo Amaral, o coveiro estrábico procedente dos tempos telúricos.

Pra fechar a catacumba e não querendo ser profeta da desgraceira, vislumbro no fim da cripta o estalar de ossos se um dos catalépticos pernas pálidas das Araucárias tiver a sorte de enfrentar no Vale das Sombras a potência de um Cabofriense ou de um Madureira.

Esta gente insatisfeita e revolta

Não sou bairrista, nem tampouco nacionalista, nasci aqui morrerei aqui contra gosto.
Dito isto. Em certa ocasião, talvez o episódio possa dar tendência do contrario, e por isso a justificativa acima, fui convidado para me fazer presente na residência de um colega, que, aliás, minha ignorância aliada à falta de curiosidade impedia de ter conhecimento de sua origem. Tratava-se de uma reunião de imigrantes, festa com comida típica, e de passagem ‘Que delícia!’ e mais tudo mais de uma festa.
Mas lá pelas tantas, espera aí! Pelas tantas uma ova! Já desde o início, agora que eu lembrei, os nômades artesões oriundos de jazidas das alturas elevadas, começaram a discutir as vantagens do horizonte sublime, que o transporte era melhor, que tinha menos poluição, que o pessoal era hospitaleiro e isso e aquilo.
Não conheço, vou confiar no que eles disseram, desculpa a minha má educação, mas... VOCÊS QUE VÃO TUDO EMBORA PRA PASSÁRGADA!

Noite cheia de estrelas no baile do Liquinho

Passaram rasteira até em aleijado. Um colega meu bem sucedido, gaúcho macho do gênero dos briguento também foi testemunha, diz ele que quando viu a covardia de três pitboys plantando a mão na cara de um anão não se conteve, resultado, o quarteto de distintos senhores atarraxou o anãozinho mais uns 20 centímetros.
E segundo o sítio Caceta no Povo, digno periódico que cobre com bravura a briosa socialite curitibana, não foi só os seguranças que distribuíram bolacha, o coice comeu solto democraticamente entre os clientes salão adentro, noticiam que o magnífico chafariz que orna o portal da boate tava cuspindo dentes pelas cascatas, e corroborando aquele velho provérbio que prega que nariz cheio de talco de bêbado não tem propriedade, muita gente extasiada e defumada contribuiu descompromissadamente e nem por isso sem primazia no oficio da capoeira, rapaziada corada e bem nutrida, nascidos em ringue de ouro, filhos de uma luta, confeccionaram pés no ouvido pra ruborizar de inveja os barracos melhores catalogados do subúrbio, um ilustre faixa preta de jiu-jitsu deu um pernas pra que ti quero e só foi encontrado dois dias e setenta quilômetros depois, lá pros arrabaldes da Lapa, com o quimono na mão e recapitulando a graduação amarela.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

20.000 Vaias

Alô! Venerável Ouvinte!
Na Vila Velmiro
Aos vinte
Virada do visitante
O vertiginoso Valdomiro
Deu uma vaca no volante
E num voleio violento
Vazou o veterano Wando
Que viu o vento
Em vão voando

Confesso

Por ventura, imprimi para um cliente, que por razões óbvias não necessita ser aqui mencionado o nome, adesivos com a seguinte máxima; ‘Quem não lê adormece no sono da ignorância’, não me vem à memória, nem tampouco procurei pesquisar, o autor da célebre, mas pra minha sorte, minha ignorância nunca adormece, é pau pra toda obra, se eu deixar trabalha 24 horas por dia, competentíssima, quando a solicito sempre se apresenta disponível, em qualquer ocasião, nas horas boas más, nas triviais, mas infelizmente, pois não tem a frieza de uma máquina, ela não é infalível. E escassas, ínfimas vezes ela não corresponde às expectativas, e nestes fragmentos de descuido da vigia, e nestas centelhas, me perdoem eu sou humano, e daí nestas ocasiões... e aí eu sou genial.

Rápidas e rasteiras III

Diana

E o beijo? Ah! O beijo! Com gosto de nicotina, e eu que odeio cigarro, inesquecível.


Ligações Perigosas

Querido Diário esta semana
*Cabelo (ir ao barbeiro)
*Coração (arritmia)
*Embreagem (barbeiro)


Ta vendo este Mauricio
A matéria prima
É o fictício

Analissa

Eu sempre fui um onanista, descascador de gabirova inveterado, derramando minhas paixões fulminantes pelo chão de madeira do meu quarto, e pra saciar minha sede, sede de que, aliás, tenho muito receio, há cada capa que acende meu desejo, sou tomado de uma aflição, nunca repito a mesma banca pro jornaleiro não me chamar pelo nome, e se eu não controlar minha cobiça não me sobraria fornecedores para o meu vício, e toda revista depois de homenageada é jogada no lixo, me bate um sentimento de culpa, sinto vergonha de mim mesmo, difamando todas as musas, não deixando vestígios para ninguém da família me censurar.


Mas meus sentimentos foram tomados de assalto quando comprei uma revista em que se destacava uma artista de um quadro humorístico, e lá dentro daquelas páginas cheirosas, brotou você, Analissa, miss Santa Catarina, confesso que sentimento parecido só no colegial, paixão pré-adolescente da qual temia apenas de fitar os olhos da amada, as pernas tremiam, o coração palpitava, não é estilo de linguagem não, talvez pobreza do meu vocabulário, não consigo me expressar satisfatoriamente, eu também não acreditava nos poetas, ainda não acredito, pois meu coração não só palpitava como que queria sair pela boca, meus olhos pulsavam e eu escondia as lágrimas e sufocava o grito.


- Eu te amo!


Mas com você foi um pouco diferente, o amor que senti (amor à primeira impressão, talvez assim eu possa classificar) me arrebatou de tal forma que eu não podia me acariciar pensando no teu corpo perfeito, nos teus cabelos lisos escorregando sobre suas costas como uma cachoeira negra de véu de noiva, seu olhar meigo olhando para além câmera, suas formas voluptuosas, suas curvas que se harmonizavam e se equilibravam de tal maneira que esta cadência deixava meu cérebro atordoado, rodando ladeira abaixo e eu era obrigado a fechar as páginas jurando nunca mais ter a audácia de te contemplar, não sendo eu merecedor de tal benção.


Mas eu sou um homem comum, corruptível, portanto não tinha coragem de jogar sua revista fora, ó Deus misericórdia! Admirava-te horas a fio, porém nunca conseguindo executar o crime, terminar o último ato do falo, para que as cortinas de minha consciência pudessem descer as pálpebras sobre meus olhos cansados, para enfim dormir o sono dos justos.


Mas não é que num belo dia, num belo dia não, num péssimo dia, nuvens carregadas nublaram meu coração, não é que um colega me toma emprestada você e nunca mais a torna me devolver, e antes de eu te ver pela última vez nos braços do outro indo embora ele teve a petulância de te elogiar com um “Que mulher mais linda!”, que todos os demônios amaldiçoem a vida deste infeliz, pois só “Que mulher mais linda!” é muito pouco para qualificar sua imagem, acredito eu que em nenhuma língua convencional ou hieróglifos perdidos conseguiriam descrever uma beleza semelhante a que você possui. E enquanto ele blasfemava no banheiro eu chorava no meu quarto, nunca mais! Nunca mais! Nunca mais!

Os dias e noites passaram difíceis para mim, mas nada que o tempo não possa contornar. E volto novamente para minha via sacra de bancas de jornal rezando para nunca mais te encontrar. Mais eis que no meu serviço Eclesiastes é citado, o que já foi volta a vir a ser, e você retorna para meus braços em formato cd-rom que um colega me emprestou para eu visualizar nas horas vagas, Analissa me desculpe, não pude conter as lágrimas, era você na capa, nunca mais te esquecerei, achei que tinha sido um sonho, uma mulher idealizada, mas você era de verdade, era real, quase, na verdade virtual, quase palpável, não, não tenho a pretensão, me desculpe minha rainha, mas você se movia, dançava alegremente, meu coração ia aos júbilos.


Via o cd quase todo dia no trabalho, quando ficava sozinho claro, matar minhas saudades e além destas infrações morais, por você, fui capaz de cometer um crime, aí de minha alma, pois nunca mais devolverei o cd-rom. E minha querida rainha, vou-lhe confessar, perdi um pouco do medo e fui te procurar em seu sitio, vi você em cada instantâneo mais linda que no último, meu coração explodia de felicidade, pude te conhecer melhor, também confesso que me decepcionei ao descobrir que você participou de um realit-show no México, mas quem sou eu para lhe julgar, oh minha princesa me desculpe novamente.


Já lhe disse que sou um onanista sênior e agora digo que sou voyeur, e pelas ruas vou admirando as moças, e as moças que mais me fascinam, não sei por que razão, se é que razão neste caso existe, são as moças que vestem a pele sagrada do jeans, calças jeans, as mais justas delineando suas formas, curvas, pernas e bundas, aliás, pernas longas, curtas, grossas, bundas grandes, redondas, pequeninas, acredito que possa ser até pelas calças que peco, maldito seja quem as desenha, calça jeans desbotada num corpo gostoso de mulher, essa é a minha tara, um dos meus pontos fracos, o diabo mais fraco me tenta, o diabo do brim ou o diabo veste blue.


Talvez porque roupas escondam segredos, o que não é visto é imaginado, e talvez o que é imaginado excita nos homens o desejo de conquista, descobrir novos mares, novos portos, novas estórias. Mas quando tive a visão de você, querida Analissa, dentro de um jeans, pude finalmente ser condenado pelo todo poderoso, quando então não me contive fiz o caminho na contramão de Dante indo do purgatório direto pra “Porta do Inferno”, escultura de Rodin, mais um artista medíocre diante de sua formosura, e destravei a maçaneta do banheiro da firma.


Analissa, posso lhe dizer de coração que foi o maior e melhor amor que fui contemplado de experimentar na face da terra, fui atingido pelo relâmpago dos anjos, os paparazzi de Deus, minha pobre criatura não tinha o direito de chegar a tal estado místico, tive a sensação que meus membros desprendendo do meu tronco, ou o tronco se desprendendo do membro, sei lá o cérebro se liquefez, não sentia minhas pernas, parecia que eu estava flutuando, desmaterializando, o fluído das paixões desenfreadas queimava minhas vísceras, líquido que nascia dentro do peito e desaguava derretendo a lajota do toalete, lágrimas de prata. Oh! Perdoe-me minha rainha, minha Cleópatra para sempre serei seu escravo.


E antes de terminar, li no seu perfil e vi em seu semblante de tristeza que ainda não tinha achado o homem perfeito, alegre-te minha rainha, pois nunca o achará, a não ser que Deus lhe tire um pedaço de sua costela e deste moldasse o homem digno de tanta sorte e bem aventurança.

Música para Ouvir

Eu já tinha escutado música que dá dor de barriga, ânsia de vomito, mais canção que dá prisão de ventre ainda não conhecia.

Desculpe-me pela falta de educação, mas contarei a experiência, afinal todo mundo precisa evacuar, só que além de usar o WC, fechar a porta eu limparei no final.

Sem más delongas, fato foi como fato conto, me bate uma repentina necessidade de obrar, corro ao banheiro, até aí tudo como de costume, mas esqueci de lhe contar que sou visinho de um clube e que nesta união recreativa cultural tem um bar, um boteco que preserva entre seus sócios a peculiar atividade de entretê-los com uma destas invenções modernosas, o karaokê ou o sei lá o quê.

A onde eu estava, ah sim, pensando aqui assentado na latrina, quando não mais que de repente escuto uma voz desafinada com o extraordinário acompanhamento musical da engenhoca eletrônica; ‘ Fácil extremamente fácil... ’

E o que parecia tarefa corriqueira se torna um sofrimento, perco a concentração, se você está lendo esta postagem em seu note-book no banheiro talvez esteja solidário ao meu martírio.
Começo a suar, faço força extrema, os olhos estalam, as veias do pescoço saltam, começo uma metamorfose, mudo de cor, os pelos ficam ouriçados, bate o desespero, aflição, angústia, parece o princípio da eternidade, e quando estava me transformando no incrível Uca, acaba.

Respiro aliviado. Volto ao estado normal, já bem próximo de me sentir um ser humano cagando quando a sessão recomeça, agora acho que era axé, a sensação de mutação retorna com variações de criaturas com a devida ajuda do pagode, sertanejo, rock e algumas pérolas da MPB, já tinha até esquecido o que tinha ido fazer no banheiro quando aparece a Garota de Ipanema para me salvar, levando a efeito toda bossa de uma vez, depois da desandança recupero o compasso, de pior a mal, e tendo executado tal empreendimento ardiloso, para não dizer argiloso, pelo menos posso pronunciar, às penas custas, um Ufa!

Fuga 147

Corro o dial a 120 por hora
Não paramos em nenhuma estação
Na estrada federal
Passamos por cima de um lagarto
Escutamos o arranhar de uma corda
Marteladas, gritos e gargalhadas
A garganta do Rei
Temos um tanque cheio de vinho adulterado
Eu sou um passageiro
O ticket é um fotograma debaixo da língua
Quem nos dirige não surfa, mas está tão doente quanto
Apocalipse Já!
Se existe alguma coisa melhor que o orgasmo? Claro que sim! Aqueles segundinhos que antecedem o gozo, aquele “Ai meu Deus! Ai meu Deus!” ou aquele “Ma mata! Me mata, por favor!”, quando falta, até que enfim, tão pouco para chegar lá.

Com todo respeito ao meretrício, mas nepotismo é coisa de filho da puta!



Esta charge fiz para um bar chamado falcatrua que tinha ali na praça do gaúcho, técnica acessórios paint do Windows.




Sou ateu por incompetência
Pois Deus coloca a bola em cima da risca
É só chutar com gosto
Furo

Não obstante
Coloca o do bom
E o do melhor na minha mão
Quebro

Deita-me na cama mais confortável
O lençol mais alvo
O travesseiro cheiroso
Acordo mijado em meio a pesadelos

E na falta de um cavalo encilhado
Deus abriu a porteira
A tropa inteira passa
Por cima da minha cabeça

O Todo Poderoso é nepotista
Indica seu filho a um cargo de confiança
Fico de saco cheio e peço a conta
Deus deve achar que eu não existo

De rápidas e rasteiras para ejaculações precoces no chão do porão

Como bem sublinha Eclesiastes “Há tempos disto e tempos daquilo. Eis tudo” Pois bem, agora é tempo daquilo.


Os Outros
Claro que você já ouviu falar de serial-killer, mas eu juro que existe o serial-vítima, sim eu vi, a vítima é sempre a mesma o que muda é o assassino.


O jazz é um gênero musical onde o instrumentista assopra e enche o sax.


Ela é uma biruta
Qualquer vento
E sua cabeça de coador muda


A saudade está batendo
Bronha no banheiro.


Drogas? Estou fora! Elas é que estão dentro.


1° de Abril. Setenta anos de Publicidade! Do reclame ao engane.

Café House Blues / Primeira Parte

Descia as ladeiras do Pilarzinho de bicicleta, eu e meu companheiro de serviço, a bicicleta do meu colega com pneus carecas os eixos com jogo e sem freio e eu nem tinha quitado a segunda parcela da minha, vento no rosto e vale no bolso, ingênuos e alegres, gritando e dando gargalhadas, quando um monza classic nos corta e dá um cavalo de pau na nossa frente, meu colega escapa por muito pouco de ser atropelado, ele dá duas aradas no meio fio e passa inacreditavelmente entre a lixeira e uma árvore só conseguindo parar se escorando na parede de uma banca de jornal na esquina, meus freios novos não tiveram o mesmo desempenho, acertei a lateral traseira do monza voando por cima do carro.


Levanto-me com as mãos e os joelhos ralados e olho a bicicleta toda retorcida no meio da rua, me volto cheio de fúria contra o motorista, era um senhor de aproximadamente setenta e poucos anos, ele aparentava estar mais nervoso do que eu e tinha acabado de acionar o portão eletrônico de sua casa, pergunto então se ele não tinha nos visto e como ia fazer para acertar meu prejuízo, ele sarcasticamente responde que se tem alguém que deve este alguém era o Fitipald das magrelas e que já tinha observado nossa imprudência ciclística há tempos, lamuriando argumento que nem havia pagado o meio que me levava ao trabalho, e com o rosto inchado de piedade me consola me deixando a par que o azar é única e exclusivamente meu, ah seu babaca, ele reage dizendo pra eu cair fora dali por que ele era da policia.


Reparo que ele trajava um bonito e novo terno, e respondo que ele podia ficar tranqüilo porque ali não havia como ele demonstrar seu digníssimo ofício pela falta de um bandido, ele solta o sinto e busca algo embaixo do banco, isso sim era um argumento irrefutável, meu orgulho imbecil já tinha comprado a causa e eu me resignei ao veredicto, ele puxa um ridículo cassetete de borracha há muito proibido de ser empregado pelos militares pelo motivo de camuflar hematomas, pisco pra ele endereçando-lhe um soco, minha misericórdia evita de acertá-lo, meu espírito sádico apenas se sacia ao ver o desespero do senhor se abaixando no banco do passageiro, meu colega me puxa pela camisa e o velho se levanta aflito procurando o portão escancarado e acelera.


Vou ao socorro da bicicleta, coloco-a no ombro atravesso a rua e paro na banquinha, olhando as revistas deparo com uma revista de blues, que me chama a atenção para o retrato da capa, era um senhor negro muito magro de óculos escuros e de chapéu e longos dedos segurando um violão sujo e tão castigado quanto seu rosto, seu terno era parecido com os ternos que meu avô alfaiate cortava, deixei dez por cento do meu soldo na banca, a revista era acompanhada de um disco desta figura e foi assim que eu conheci Sam Lightnin Hopkins, sem tv, sem rádio, sem previa informação de alguma publicação musical, sem enciclopédia, sem internet.


E toda vez que estou com ódio recorro aos discos dele, é só escutar os primeiros acordes de “Found my Baby Crying” para me sentir melhor, e me pergunto como seria possível sair daquele ser aparentemente tão frágil uma voz daquelas, rouca e potente, talvez ele fosse uma espécie de Deus do trovão africano, e quando ele batia seus pés no chão evocava seus poderes, fazendo sua voz parecer sair de dentro da terra.


Continua...
Pois a lembrança mais distante que tenho é da Copa de 82, eu e meu pai no bosque das Freiras do Colégio Divina Providência atrás de painas para fazer uma bidê, a pipa que era de seda verde e amarela ultrapassava minha altura, e fomos empinar num terreno baldio ao lado de casa, na hora do jogo quando saiu um dos gols do Brasil ele deixou o fio na minha mão, pulou o muro e foi comemorar com os meus tios, quase nem enxergava a pipa que mergulhava na imensidão do céu, o vento estava forte e tive a sensação que estava sendo levado embora pro infinito, é a minha primeira recordação do sentimento de medo, larguei a carretilha e vi a bidê seguindo seu próprio destino ao som dos palavrões proferidos pelos meus parentes quando Paulo Rossi fazia o terceiro gol decretando a vitória italiana. Meu pai ainda conseguiu recuperar a pipa à quase um quilômetro de casa. Sei que a bidê ficou anos no quarto de quinquilharias de casa, eu quase não entrava lá, fiquei com trauma do brinquedo de papel.

Diário de Milton

Querido diário, querido não, puto.
Puto dum diário.
Esta manhã levantei com o pé direito e com o esquerdo eu dei uma topada na quina da porta, uma dor incomensurável atravessou o meu ser, apesar de ser ou não ser numa hora destas não ser propriamente a questão, um raio percorreu do meu dedão do pé até a ponta da minha língua desaguando num “FILHO DUMA PUTA” gutural, que juro que nas melhores estrebarias não se encontra relincho mais alto e vigoroso, me fazendo ponderar à respeito de como talvez a essência quadrúpede seja mais cristalina que a nossa.
O jornaleiro não entregou o noticiário de que, aliás, não sentiria falta, há não ser quando me dei conta da escassez de papel higiênico.
No breakfast a torrada por incrível que pareça caiu com a manteiga virada para cima, só que ela caiu na cadeira em que eu viria a me sentar, deve vir daí a expressão viajou na maionese, o café estava doce, pelo menos eu acho, pois a tampa do açucareiro estava aberta, além de estar demasiado quente, pois queimei a língua um pouco antes de furar o olho com a colherinha.
Com o terno sujo de margarina e a gravata com pasta de dente vou tranquiiilo a caminho do serviço, todo cagado e coxo.

Uma Greve de Bosta

Uma coisa que me deixa perplexo é a greve do funcionalismo público. Como diz meu patrão “E quem não quer aumento?”. Então eu pergunto donde sairá o dinheiro do reajuste? E o cidadão como faz para fazer uma greve contra o Estado? Talvez a onde doa mais, mas nós pagamos impostos até para sobreviver, comer por exemplo. Pensei ao invés de fazer uma greve de fome fazer uma greve de bosta, pois nós contribuímos até na hora de fazer cagada, provavelmente eles usariam este pretexto para não continuar investindo no saneamento básico.

Prelúdio do Gênesis

Dia destes tive um sonho apoplético
Destes que a memória não mais alcança
Numa gaveta achei o calção de uma criança
E nele estampadas estavam as cores do Atlético

Há 30 anos com ele ia pra escola
No céu um balão preto e vermelho
Com fotos de jogadores antes de eu sê-lo
Heróis que eu nunca vi jogando bola

Memória ainda se encontra nas trevas
Não sei por que já vestia seus panos
Bem antes do arremeto do crânio
Decerto antes até do pecado de Adão e Eva

Ejaculações precoces no chão do porão ou as populares rápidas e rasteiras

Futebol é pra macho, gordo, magro, pro alto ou baixo, é democrático de fato, eu acho, aliás, é tanto também pro filho de uma déspota quanto para o rato.


Monet é do cacete
Oscar Wilde é do caráio
E mauricio? O quê que é isso?


Da Série Os Gêmeos da Pendura
-Eu devendo? Foi meu mano!


Eu tinha uma banda de blues que se chamava Joãozinho Puta e suas Cafetinas, mas devido a problemas com nossos publicadores vocês nos ouviram por aí como João Neo Liberal e seus Representantes Comerciais.

Diga Espelho Meu

Saí do banho quente e com a toalha úmida começo a limpar o espelho embaçado com movimentos irregulares;
-Muem!Xiii!Huoo!Zumm!
Passo então o pano cautelosamente na direção horizontal encarando meus próprios olhos na janela do outro mundo e com a confiança dos que não falham atirei;
-Mentiroso é você!

Prosa na Boca Maldita

Fato foi como fato conto

Aqui na cidade de Curitiba, mais precisamente ali na rua XV, na rua das Flores tem uma turma de artistas que vendem o seu peixe abordando os transeuntes com a seguinte frase;
-O senhor (a) gosta de poesia?
A população já os rotulou de chatos, não posso dizer o mesmo da produção deles pelo simples motivo de não conhecê-las.
Mas como sou um chato incorrigível resolvi partir pra luta e testar o meu papel onde o povo está;
-Você gosta de poesia?
-Não gosto!
-Temos algo em comum, pois meu lance é prosa.
-Não moço! E me desculpa que estou atrasada.
-Não seja intolerante, só peço um minuto ou se não tiver tempo leia-lo quando necessitar ir ao banheiro, não, não recomendo este papel para limpeza...
-Estou sem trocado!
-Mas é de graça.
-Ah! Então eu quero.
-Bom... Melhor não, você não gosta de prosa mesmo.

Quem sou eu

CWB, PR
Olá! Meu nome é Mauricio Schultz sou curitibano de 1º de maio de 76, sou fanzineiro, nos anos bissextos é bem verdade, e nas horas vagas trabalho com comunicação visual, resolvi fazer este blog depois de certa relutância, sou pichador desde que me entendo por gente e comecei a fazer revistinhas aos 11 anos inspiradas na Chiclete com Banana, não na banda de axé apesar do estilo indicar natureza semelhante, mas como meu desenho era franzino expressivamente e por causa da minha maldita preguiça comecei a fazer HsQ (Histórias sem Quadrinhos) e resolvi só usar estes símbolos reconhecidos pelo pessoal que se comunica na língua portuguesa. Espero que se divirtam.