Desova de contradições, trocadilhos infames e mentiras burlescas.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Analissa

Eu sempre fui um onanista, descascador de gabirova inveterado, derramando minhas paixões fulminantes pelo chão de madeira do meu quarto, e pra saciar minha sede, sede de que, aliás, tenho muito receio, há cada capa que acende meu desejo, sou tomado de uma aflição, nunca repito a mesma banca pro jornaleiro não me chamar pelo nome, e se eu não controlar minha cobiça não me sobraria fornecedores para o meu vício, e toda revista depois de homenageada é jogada no lixo, me bate um sentimento de culpa, sinto vergonha de mim mesmo, difamando todas as musas, não deixando vestígios para ninguém da família me censurar.


Mas meus sentimentos foram tomados de assalto quando comprei uma revista em que se destacava uma artista de um quadro humorístico, e lá dentro daquelas páginas cheirosas, brotou você, Analissa, miss Santa Catarina, confesso que sentimento parecido só no colegial, paixão pré-adolescente da qual temia apenas de fitar os olhos da amada, as pernas tremiam, o coração palpitava, não é estilo de linguagem não, talvez pobreza do meu vocabulário, não consigo me expressar satisfatoriamente, eu também não acreditava nos poetas, ainda não acredito, pois meu coração não só palpitava como que queria sair pela boca, meus olhos pulsavam e eu escondia as lágrimas e sufocava o grito.


- Eu te amo!


Mas com você foi um pouco diferente, o amor que senti (amor à primeira impressão, talvez assim eu possa classificar) me arrebatou de tal forma que eu não podia me acariciar pensando no teu corpo perfeito, nos teus cabelos lisos escorregando sobre suas costas como uma cachoeira negra de véu de noiva, seu olhar meigo olhando para além câmera, suas formas voluptuosas, suas curvas que se harmonizavam e se equilibravam de tal maneira que esta cadência deixava meu cérebro atordoado, rodando ladeira abaixo e eu era obrigado a fechar as páginas jurando nunca mais ter a audácia de te contemplar, não sendo eu merecedor de tal benção.


Mas eu sou um homem comum, corruptível, portanto não tinha coragem de jogar sua revista fora, ó Deus misericórdia! Admirava-te horas a fio, porém nunca conseguindo executar o crime, terminar o último ato do falo, para que as cortinas de minha consciência pudessem descer as pálpebras sobre meus olhos cansados, para enfim dormir o sono dos justos.


Mas não é que num belo dia, num belo dia não, num péssimo dia, nuvens carregadas nublaram meu coração, não é que um colega me toma emprestada você e nunca mais a torna me devolver, e antes de eu te ver pela última vez nos braços do outro indo embora ele teve a petulância de te elogiar com um “Que mulher mais linda!”, que todos os demônios amaldiçoem a vida deste infeliz, pois só “Que mulher mais linda!” é muito pouco para qualificar sua imagem, acredito eu que em nenhuma língua convencional ou hieróglifos perdidos conseguiriam descrever uma beleza semelhante a que você possui. E enquanto ele blasfemava no banheiro eu chorava no meu quarto, nunca mais! Nunca mais! Nunca mais!

Os dias e noites passaram difíceis para mim, mas nada que o tempo não possa contornar. E volto novamente para minha via sacra de bancas de jornal rezando para nunca mais te encontrar. Mais eis que no meu serviço Eclesiastes é citado, o que já foi volta a vir a ser, e você retorna para meus braços em formato cd-rom que um colega me emprestou para eu visualizar nas horas vagas, Analissa me desculpe, não pude conter as lágrimas, era você na capa, nunca mais te esquecerei, achei que tinha sido um sonho, uma mulher idealizada, mas você era de verdade, era real, quase, na verdade virtual, quase palpável, não, não tenho a pretensão, me desculpe minha rainha, mas você se movia, dançava alegremente, meu coração ia aos júbilos.


Via o cd quase todo dia no trabalho, quando ficava sozinho claro, matar minhas saudades e além destas infrações morais, por você, fui capaz de cometer um crime, aí de minha alma, pois nunca mais devolverei o cd-rom. E minha querida rainha, vou-lhe confessar, perdi um pouco do medo e fui te procurar em seu sitio, vi você em cada instantâneo mais linda que no último, meu coração explodia de felicidade, pude te conhecer melhor, também confesso que me decepcionei ao descobrir que você participou de um realit-show no México, mas quem sou eu para lhe julgar, oh minha princesa me desculpe novamente.


Já lhe disse que sou um onanista sênior e agora digo que sou voyeur, e pelas ruas vou admirando as moças, e as moças que mais me fascinam, não sei por que razão, se é que razão neste caso existe, são as moças que vestem a pele sagrada do jeans, calças jeans, as mais justas delineando suas formas, curvas, pernas e bundas, aliás, pernas longas, curtas, grossas, bundas grandes, redondas, pequeninas, acredito que possa ser até pelas calças que peco, maldito seja quem as desenha, calça jeans desbotada num corpo gostoso de mulher, essa é a minha tara, um dos meus pontos fracos, o diabo mais fraco me tenta, o diabo do brim ou o diabo veste blue.


Talvez porque roupas escondam segredos, o que não é visto é imaginado, e talvez o que é imaginado excita nos homens o desejo de conquista, descobrir novos mares, novos portos, novas estórias. Mas quando tive a visão de você, querida Analissa, dentro de um jeans, pude finalmente ser condenado pelo todo poderoso, quando então não me contive fiz o caminho na contramão de Dante indo do purgatório direto pra “Porta do Inferno”, escultura de Rodin, mais um artista medíocre diante de sua formosura, e destravei a maçaneta do banheiro da firma.


Analissa, posso lhe dizer de coração que foi o maior e melhor amor que fui contemplado de experimentar na face da terra, fui atingido pelo relâmpago dos anjos, os paparazzi de Deus, minha pobre criatura não tinha o direito de chegar a tal estado místico, tive a sensação que meus membros desprendendo do meu tronco, ou o tronco se desprendendo do membro, sei lá o cérebro se liquefez, não sentia minhas pernas, parecia que eu estava flutuando, desmaterializando, o fluído das paixões desenfreadas queimava minhas vísceras, líquido que nascia dentro do peito e desaguava derretendo a lajota do toalete, lágrimas de prata. Oh! Perdoe-me minha rainha, minha Cleópatra para sempre serei seu escravo.


E antes de terminar, li no seu perfil e vi em seu semblante de tristeza que ainda não tinha achado o homem perfeito, alegre-te minha rainha, pois nunca o achará, a não ser que Deus lhe tire um pedaço de sua costela e deste moldasse o homem digno de tanta sorte e bem aventurança.

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Quem sou eu

CWB, PR
Olá! Meu nome é Mauricio Schultz sou curitibano de 1º de maio de 76, sou fanzineiro, nos anos bissextos é bem verdade, e nas horas vagas trabalho com comunicação visual, resolvi fazer este blog depois de certa relutância, sou pichador desde que me entendo por gente e comecei a fazer revistinhas aos 11 anos inspiradas na Chiclete com Banana, não na banda de axé apesar do estilo indicar natureza semelhante, mas como meu desenho era franzino expressivamente e por causa da minha maldita preguiça comecei a fazer HsQ (Histórias sem Quadrinhos) e resolvi só usar estes símbolos reconhecidos pelo pessoal que se comunica na língua portuguesa. Espero que se divirtam.